18.7.12

Romance


Ficaria mais atraente se eu o tornasse mais atraente. Usando, por exemplo, algumas das coisas que emolduram uma vida ou uma coisa ou romance ou um personagem. É perfeitamente lícito tornar atraente, só que há o perigo de um quadro se tornar quadro porque a moldura o fez quadro. Para ler, é claro, prefiro o atraente, me cansa menos, me arrasta mais, me delimita e me contorna. Para escrever, porém, tenho que prescindir. A experiência vale a pena, mesmo que seja apenas para quem escreveu.


Clarice Lispector


nota: Estou lendo o livro da Clarice Lispector por isso meus últimos dois textos foram dela, mas já estou preparando um texto pra vocês leitores, obrigada pela visita.

15.7.12

A experiência maior


Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.
Clarice Lispector

13.7.12

Uma questão de simetria


Um pingo de água quando toca uma folha vazia, de algum modo toca os dois lados desta mesma folha. Então já se pode ver que em nenhum dos lados todas as linhas se alinham, o que a faz deixar de ser simétrica, passa ser transparente.
Uma verdade ao tocar uma pessoa, toca esta pessoa dos seus dois lados (ou três, ou quatro...). Então qualquer um vê, que nem tudo condiz. Nem mesmo esta pessoa consegue distinguir seus lados. O que a faz deixar de ser simétrica, passa ser transparente.